Queria eu apagar a tristeza do olhar

Para poder brincar outra vez um dia inteiro ao menos com as minhas meninas

Tirar as marcas das mazelas do mundo do rosto


Cá estou eu me isolando de novo


Escrevo sobre o que dói um pouco


Sobre o que dói muito

Travam-se as mãos 

Assim como engasga a palavra na garganta

Assim como o pensamento pára 

E dissociar vira sinônimo de conseguir sobreviver mais um pouco


Sentada na praça, horário de pico, intervalo entre um curso e outro

Lágrimas, andarilhos

Queria ser invisível 

E até sou.

Cada um em seu carro, cada um em seu universo inventado, smartphones…

Cada um com seu cachorro


Lágrimas...


O capitalismo tá me roubando a vontade de viver e a juventude das minhas filhas


E eu ao menos ainda ouso dizer.


Um dia, eu ainda tenho fé, um dia eu consigo.



22 de abril de 2026. Praça da Assis Chateubriand.

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