crianças palestinas brincam de socorristas meio às ruínas da faixa de gaza e no teerã um idoso se exercita na praça em frente a escombros de um prédio residencial bombardeado aqui no ocidente a gente dissocia pra seguir em frente a era da distopia: agora. ignorar o caos, t entar nao ficar demente diante de tanta atrocidade é tudo tão evidente, mas não tão recente se declaro te amo em um dia no outro ignoro a sua existência e finjo que sua presença não mexe comigo sentimento mais volátil que o próprio ar escapa entre os dedos, como água. um peito vazio tento preencher com o tal amor líquido morro de saudades mas não digo passo pela sua casa, mas não bato todo ato de amor é revolucionário mas quem nos ensinou amar? o centro fede a covardia o capitalismo estragou tudo e a gente segue rumo ao abismo perdemos a coragem e não falamos não pra esse social sadomasoquismo tudo do lado direito é hostil e careta eu sinto sua falta e choro e choro de madrugada sozinha p...
Queria eu apagar a tristeza do olhar Para poder brincar outra vez um dia inteiro ao menos com as minhas meninas Tirar as marcas das mazelas do mundo do rosto Cá estou eu me isolando de novo Escrevo sobre o que dói um pouco Sobre o que dói muito Travam-se as mãos Assim como engasga a palavra na garganta Assim como o pensamento pára E dissociar vira sinônimo de conseguir sobreviver mais um pouco Sentada na praça, horário de pico, intervalo entre um curso e outro Lágrimas, andarilhos Queria ser invisível E até sou. Cada um em seu carro, cada um em seu universo inventado, smartphones… Cada um com seu cachorro Lágrimas... O capitalismo tá me roubando a vontade de viver e a juventude das minhas filhas E eu ao menos ainda ouso dizer. Um dia, eu ainda tenho fé, um dia eu consigo. 22 de abril de 2026. Praça da Assis Chateubriand.
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