gosto de fazer silêncio e observar atentamente. escutar cada detalhe e quando dá espiar pela fresta. sumir e escrever. cantar bem baixo só pra quem se importa muito ouvir. eu não quero nem saber, tô esvaziando o hd. tô em modo guerrilha, não me deslumbro, não me iludo, tô quietinha planejando cada hora e cada passo. e cada boa noite que falo pode ser interpretado como bom dia. o sono leve como quem tá de guarda protegendo a mais valiosa gema, a mais preciosa vida. a fronte cerrada contrastando com o riso de canto. meia face na penumbra meia face no sol, ninguém me ensinou, caminho desde que me lembro no meio fio como quem nasceu se equilibrando na corda bamba e cresceu brincando com o fio da navalha. cada hematoma, cada sangue coagulado, cada cicatriz, cada riso segurando o choro quando não foi Wolf Maia, foi a escola da vida que ensinou ser atriz. quando você não é nada pra quem te viu crescer e quem rodou o mundo te viu um dia e disse: que brilho é esse que quase cega? prendo o grito na garganta e quase faço voltar a lágrima que quer cair. se amanhã eu for presa, depois de amanhã faz dois dias eu eu já não tô nem aí, mas faço questão de dizer: hoje faz 34 anos, 10 meses, 24 dias e 13 horas que sobrevivo. sempre que tá chegando o aniversário eu comemoro cada dia. nasci jurada de morte por aquele verme que me doou gene, faço questão de comemorar, mesmo que doa de sangrar. 15 de outubro é logo ali, querido diário, e tô feliz, apesar de qualquer pesar, ainda tô aqui. por hoje é isso. câmbio, desligo.
fim da quaresma – cru
crianças palestinas brincam de socorristas meio às ruínas da faixa de gaza e no teerã um idoso se exercita na praça em frente a escombros de um prédio residencial bombardeado aqui no ocidente a gente dissocia pra seguir em frente a era da distopia: agora. ignorar o caos, t entar nao ficar demente diante de tanta atrocidade é tudo tão evidente, mas não tão recente se declaro te amo em um dia no outro ignoro a sua existência e finjo que sua presença não mexe comigo sentimento mais volátil que o próprio ar escapa entre os dedos, como água. um peito vazio tento preencher com o tal amor líquido morro de saudades mas não digo passo pela sua casa, mas não bato todo ato de amor é revolucionário mas quem nos ensinou amar? o centro fede a covardia o capitalismo estragou tudo e a gente segue rumo ao abismo perdemos a coragem e não falamos não pra esse social sadomasoquismo tudo do lado direito é hostil e careta eu sinto sua falta e choro e choro de madrugada sozinha p...
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